Ao contrário do que se diz, a fruta “goji berry” não ajuda a emagrecer, segundo estudos

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Baseado em texto de Monique Oliveira, disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Goji (em inglês, Goji Berry) é o nome dos frutos da planta Lycium barbarum, uma fruta do sul da Ásia (e mais especialmente do Tibet) usada na medicina tradicional chinesa e cultivada há mais de 600 anos, que invadiu os supermercados e sites na internet com a promessa de ajudar a emagrecer, combater doenças e até melhorar a potência sexual.

A frutinha é mais facilmente encontrada no Brasil na forma desidratada, mas seu extrato também é vendido em farmácias. Na China, as folhas da fruta são utilizadas em chás para aumentar a imunidade.

Entre seus benefícios estaria seu alto poder antioxidante, com ação potente no combate de doenças como câncer, aterosclerose e diabetes. Uma das origens dessas enfermidades está nos danos ao DNA causados por produtos do oxigênio que ficam “soltos” no interior das células. Ao combater esses compostos, a fruta teria um efeito protetor sobre essas doenças.

De fato, a goji tem potente ação antioxidante e alta concentração de vitamina C, que chega a ser 50 vezes maior que a da laranja. Mas somente algumas pesquisas mediram seu efeito direto sobre as enfermidades.

Um estudo publicado no “Journal of Nutrition” em dezembro do ano passado e feito na Universidade de Tuffs, nos EUA, mostrou que a goji berry foi capaz de aumentar o potencial da vacina antigripal em ratos. A fruta, diz o estudo, aumenta a atividade das células dentríticas. que são capazes de levar o vírus até as células de defesa.

Outro estudo, publicado no “American Journal of Clinical Nutrition” em 2008 com 72 pacientes com risco para doenças cardiovasculares, mostrou o efeito protetor da fruta. Os voluntários consumiram porções moderadas da goji berry por oito semanas e tiveram melhora da função plaquetária.

As plaquetas são responsáveis pela coagulação do sangue e a inibição de sua função nesses pacientes contribui para a regulação da pressão sanguínea e a diminuição do mau colesterol pelo aumento do bom colesterol. Esse aumento foi verificado em 5,6% dos pacientes que consumiram a goji berry, contra 0,6% do grupo que não ingeriu a fruta.

A fruta, entretanto, não ajuda a emagrecer, ao contrário do que muitos sites indicam. “Ela é, na verdade, bastante calórica”, diz Lucyanna Kalluff, nutricionista e farmacêutica bioquímica. Cada 100 g da fruta desidratada têm 256 kcal. “A fruta confere saciedade, mas não é uma estratégia eficiente porque a pessoa teria que comer muito para obter esse efeito”, diz.

Estudos americanos e europeus comprovam os benefícios energéticos e antioxidantes dessa frutinha poderosa e recomendam o consumo de pelo menos uma colher de sopa por dia, de preferência pela manhã ou antes das atividades físicas. A goji só não é indicada para quem toma remédio contra trombose, controle de pressão e glicemia, porque pode inibir a ação desses medicamentos. As vitaminas do “complexo B” presentes na fruta, auxiliam a diminuir a fadiga, o “stress” e melhoram o funcionamento do cérebro. Cada 100 gramas de goji tem 50 vezes mais vitamina C que uma laranja, por exemplo, mas essa leva a vantagem de ser bem mais popular e acessível.

Quanto à potência sexual, especialistas desconhecem o possível benefício da fruta.

BENEFÍCIOS REAIS

“A fruta é um coadjuvante importante na alimentação, mas nada é mágico”, afirma Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). Entre seus componentes com benefícios à saúde, destacam-se:
– 19 aminoácidos que ajudam na formação de proteínas;
– 21 minerais como ferro, cálcio e germânio, apontado como anticancerígeno;
– 22 polissacarídeos, que fortalecem o sistema imunológico;
– Triptofano, para o sistema nervoso;
– Cyperone, que faz bem ao coração e pressão arterial.

Segundo especialistas, a goji pode ser usada na dieta, mas integrada de maneira moderada e frequente. “Os benefícios não aparecem de um dia para o outro”, diz Celso Cukier, nutrólogo e diretor do Instituto de Metabolismo e Nutrição.

O alto consumo da fruta pode até ter um efeito contrário: o excesso pode ocupar o lugar de outros alimentos igualmente benéficos.

Como a goji, outros alimentos já tiveram seus benefícios exaltados: o tomate (o licopeno, substância que dá a sua cor vermelha, é conhecido por proteger contra o câncer), a quinoa (pelo combate a TPM) e o mirtilo (por melhorar a memória). Eles integram a categoria chamada de “superalimentos”, que se diferenciam por possuírem compostos favoráveis à saúde em maior quantidade que os demais.

Mas, apesar de conterem substâncias comprovadamente benéficas, nem todos os alimentos foram objeto de estudos que comprovassem seus efeitos sobre doenças. Instituições de peso alertam para a áurea milagrosa muitas vezes concedida a esses superalimentos.

“Um alimento pode ajudar a reduzir o risco de câncer, mas é improvável que ele sozinho faça grande diferença”, estampa o Centro de Pesquisa do Câncer do Reino Unido em seu site.

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