Descoberta: Irisina – Hormônio do Exercício

Texto de Lais Cristina -> ganhadora do prêmio da semana!

Um estudo publicado na revista Nature, conduzido por pesquisadores da Dana Farber Cancer Institute e Harvard Medical School, mostra que o exercício físico estimula a produção de um hormônio que tem a capacidade de aumentar o gasto energético e consequentemente, a queima de gordura corporal, através da transformação da gordura comum em gordura marrom. O novo hormônio, até então desconhecido, recebeu o nome de Irisina, em referência à deusa mensageira da mitologia grega, Íris.

Os pesquisadores acreditavam que células musculares se comunicam bioquimicamente com a gordura corporal, porém, não sabiam como, até que acompanharam de perto as operações de uma substância chamada PGC1-alpha, que é produzida em abundância pelos músculos durante e após os exercícios e responsável por muitos dos benefícios atribuídos a tal prática.

A PGC1-alpha estimula a expressão de uma proteína chamada Fndc5, que se quebra em duas partes, dando origem a Irisina.  Diferente da maioria das substâncias produzidas nos músculos, ela não permanece lá. Entra na corrente sanguínea e segue em direção ao Tecido Adiposo Branco (TAB) – responsável por armazenar energia –, que na sua presença transformam-se em gordura marrom (TAM). Os pesquisadores acreditam que a quantidade de exercícios (Irisina) é proporcional a quantidade de gordura marrom no organismo.

A constatação de que Irisina pode contribuir para o escurecimento da gordura corporal é uma descoberta extraordinária, visto que a gordura marrom é fisiologicamente desejável e metabolicamente ativa, atuando na manutenção da temperatura corporal (termogênese) através da queima de calorias. Pensava-se que adultos não possuíam esse tipo de gordura, porém, estudos recentes mostram que temos um aporte de TAM que varia de pessoa para pessoa.

Ratos foram induzidos a produzir grandes quantidades da substância e mostraram-se resistentes à obesidade e diabetes, assim como muitas pessoas que praticam exercícios com regularidade. Curiosamente, o hormônio encontrado em ratos e humanos é exatamente o mesmo.

Enquanto a Irisina parece ter um grande impacto sobre o metabolismo, não parece desempenhar qualquer papel perceptível nos efeitos que o exercício tem no coração ou no cérebro. Várias questões permanecem sem solução. Apesar de todos os benefícios, os ratos perderam pouco peso, porém resistiram ao ganho – mesmo com uma dieta rica em gordura – e os níveis de açúcar no sangue se mantiveram estáveis.

Finalmente, foram realizados experimentos com células musculares de pessoas voluntárias, que haviam seguido á risca um programa de corrida no decorrer de uma semana. Foi notado um aumento dos níveis de Irisina, que é uma forte candidata ao desenvolvimento de novos tratamentos para diabetes, obesidade e outras doenças, como o câncer.

No futuro, os pesquisadores esperam testar as injeções de Irisina em pessoas que, devido a deficiências ou problemas de saúde, não podem praticar atividade física. Ele também quer descobrir qual a quantidade e o tipo de exercício capazes de levar ao aumento da substância em pessoas saudáveis.

Referências:

Exercise Hormone May Fight Obesity and Diabetes. Em: The New York Times, Jan. 2012. Disponível em: <> http://well.blogs.nytimes.com/2012/01/11/exercise-hormone-helps-keep-us-healthy/?scp=2&sq=hormone&st=cse > , Acessado em: 13 de janeiro de 2012.

Reaping benefits of exercise minus the sweat – Researchers isolate messenger protein linking exercise to health benefits. Em: Harvard University, Jan. 2012. Disponível em: <> http://news.harvard.edu/gazette/story/2012/01/reaping-benefits-of-exercise-minus-the-sweat/ >. Acessado em: 13 de janeira de 2012.

 

Sobre José Moacir Silva e Silva

“Jamais colocarei meu nome em um produto que não tenha em si o melhor do que há em mim” John Deere
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